Em Andamento

TESES

Thiago Assumpção (pesquisador responsável); André Lemos (orientador)

Gabriel Goes (pesquisador responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: Esta pesquisa propõe investigar as ecologias da vigilância digital através de uma análise comparativa e multidimensional das arquiteturas de dataficação em plataformas web e móveis no contexto brasileiro. Partindo das descobertas preliminares na dissertação de mestrado do autor sobre agentes ocultos de vigilância em websites de startups, o estudo busca expandir a investigação para incluir aplicativos móveis, SDKs (Software Development Kits) e suas implicações sociotécnicas, jurídicas e experienciais. Através de uma abordagem neomaterialista fundamentada na Teoria Ator-Rede, a pesquisa mapeia as redes de mediadores técnicos e humanos que constituem o capitalismo de vigilância brasileiro, analisando não apenas as práticas de coleta de dados, mas também as percepções dos usuários, as responsabilidades jurídicas distribuídas e as possibilidades de resistência. O estudo propõe uma metodologia híbrida que combina análise técnica de código, etnografia digital, entrevistas com stakeholders e experimentação com tecnologias de privacidade. Os objetivos incluem desenvolver uma taxonomia comparativa das práticas de vigilância entre plataformas web e móveis, investigar a consciência e agência dos usuários brasileiros frente à dataficação, analisar as lacunas regulatórias da LGPD no contexto de vigilância distribuída, e propor um framework de privacidade situada que considere as especificidades do Sul Global. A pesquisa contribui para os estudos críticos de plataforma ao oferecer uma perspectiva neomaterialista sobre o colonialismo de dados, propondo alternativas para uma economia digital menos extrativista e mais alinhada com princípios de soberania digital e justiça informacional.

Ellen Guerra (pesquisadora responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: Este projeto propõe investigar o fenômeno da evitação de notícias no contexto da plataformização, da dataficação e da performatividade algorítmica (PDPA) (LEMOS, 2020), buscando compreender como práticas de não consumo informacional são produzidas pela interação entre sujeitos, conteúdos jornalísticos e infraestruturas digitais. Parte-se da hipótese de que a evitação não resulta apenas de uma escolha individual, mas emerge também como efeito indireto da lógica algorítmica de personalização. O fenômeno da evitação de notícias tem se consolidado como um dos desafios para o jornalismo contemporâneo. Dados recentes demonstram que o aumento do desinteresse pelo noticiário em diversas partes do mundo vai além de uma escolha individual, configurando-se como um comportamento comunicacional complexo e mediado. A literatura tem apontado para a necessidade de investigar fatores que transcendem as motivações pessoais, focando nas infraestruturas digitais que moldam o consumo informacional e a responsabilidade das plataformas nesse processo. (ANDERSEN, TOFF & YTRE-ARNE, 2024; TOFF, PALMER & NIELSEN, 2024). A relevância deste estudo reside na necessidade de compreender como as arquiteturas das plataformas digitais influenciam a visibilidade, a circulação e a ocultação de conteúdos jornalísticos, impactando diretamente a prática jornalística. Para enfrentar o desafio de mapear uma prática cuja natureza central é a ausência de consumo, a pesquisa adota uma abordagem de métodos mistos. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem exploratória e descritiva, combinando três dimensões: a discursiva (entrevistas semiestruturadas com usuários), a infraestrutural (análise de plataformas e algoritmos) e a relacional (cartografias sociotécnicas). Essa triangulação permitirá mapear os modos pelos quais a PDPA organiza a circulação de notícias, investigando não apenas os motivos da evitação, mas também as condições que tornam possível sua ocorrência. Ao articular essas abordagens, a pesquisa busca demonstrar como as práticas de não consumo informacional são coproduzidas por uma complexa rede de interações entre atores humanos e não-humanos, contribuindo para o avanço dos estudos sobre jornalismo em ambientes digitais e para o debate sobre o lugar das plataformas na esfera pública.

Soberania Digital

Walmir Estima (pesquisadora responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: O projeto visa investigar como a ideia de soberania digital está sendo performada no Brasil — em suas dimensões teóricas e práticas —, analisando a relação entre processos políticos, quadros normativos e dispositivos técnicos que participam da relação entre pessoas; Estado; poder; território e tecnologias digitais. Para isso, descreve como o conceito de soberania digital é mobilizado no Fórum da Internet do Brasil (FIB) dos anos de 2025 e 2026. O FIB é um local privilegiado onde as questões de interesse em torno da ideia de soberania digital circulam, tomam forma de demandas sociais explícitas e buscam concretude por meio de inovações técnicas e/ou regulatórias. Numa segunda fase, a pesquisa explora as relações entre estas mobilizações discursivas e os projetos políticos, regulatórios, tecnológicos e infraestruturais encabeçados pelas instituições de Estado brasileiras: começando pelo plano brasileiro de Inteligência Artificia (PBIA), Estratégia brasileira de atração de Data Centers (ReData); projeto de lei de regulação de IA (PL 2338/2023); ), o projeto de lei que busca alterar o modelo de governança de internet do Brasil (PL 4.557/2023) Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e Marco Civil da Internet (MCI). Isto para, enfim, instaurar um argumento conclusivo que aponte potencialidades, lacunas, deficiências e barreiras à construção de uma soberania digital para o Brasil, propondo caminhos para uma soberania digital possível, que abranja as agências, demandas e valores dos diferentes atores locais analisados.

DISSERTAÇÕES