Em Andamento

TESES

Thiago Assumpção (pesquisador responsável); André Lemos (orientador)

Flávia Sofia (pesquisadora responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: O projeto desenvolve uma pesquisa sobre Controle e Vigilância digitais em relacionamentos íntimos. Em uma primeira etapa, analisa como dispositivos de uso comercial e cotidiano têm suas funcionalidades subvertidas nestas perturbações, e alcançam um limite em casos criminosos de stalking por parceiros românticos. Em uma segunda etapa, quer analisar aplicativos de spyware desenvolvidos especificamente para controle e vigilância (conhecidos como stalkerwares), os compreendendo como radicalizações de uma sociedade que banaliza e tolera o monitoramento interpessoal. Entende estes fenômenos como partes de uma Sociedade de Plataformas (Van Dick & Poel) –  datificada, orientada por lógica algorítmica, sujeita às falibilidades inerentes à Comunicação – ou seja, PDPA (Lemos). A partir de uma análise neomaterialista que utiliza teoria ator-rede (Latour); a abordagem de Fox & Aldred para estudo sociológico da violência relacionada à gênero; e uma cartografia dos afetos (Deleuze, Guattari & Rolnik, Spinoza, Massumi); em um método para comunicação associal (Lemos) -, a  tese quer validar Controle e Vigilância digitais como perturbações infraestruturais que geram problemas éticos também em relacionamentos íntimos, defendendo a hipótese de que novos dispositivos geram novoas tipos de monitoramento nessas relações.

Gabriel Goes (pesquisador responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: Esta pesquisa propõe investigar as ecologias da vigilância digital através de uma análise comparativa e multidimensional das arquiteturas de dataficação em plataformas web e móveis no contexto brasileiro. Partindo das descobertas preliminares na dissertação de mestrado do autor sobre agentes ocultos de vigilância em websites de startups, o estudo busca expandir a investigação para incluir aplicativos móveis, SDKs (Software Development Kits) e suas implicações sociotécnicas, jurídicas e experienciais. Através de uma abordagem neomaterialista fundamentada na Teoria Ator-Rede, a pesquisa mapeia as redes de mediadores técnicos e humanos que constituem o capitalismo de vigilância brasileiro, analisando não apenas as práticas de coleta de dados, mas também as percepções dos usuários, as responsabilidades jurídicas distribuídas e as possibilidades de resistência. O estudo propõe uma metodologia híbrida que combina análise técnica de código, etnografia digital, entrevistas com stakeholders e experimentação com tecnologias de privacidade. Os objetivos incluem desenvolver uma taxonomia comparativa das práticas de vigilância entre plataformas web e móveis, investigar a consciência e agência dos usuários brasileiros frente à dataficação, analisar as lacunas regulatórias da LGPD no contexto de vigilância distribuída, e propor um framework de privacidade situada que considere as especificidades do Sul Global. A pesquisa contribui para os estudos críticos de plataforma ao oferecer uma perspectiva neomaterialista sobre o colonialismo de dados, propondo alternativas para uma economia digital menos extrativista e mais alinhada com princípios de soberania digital e justiça informacional.

Ellen Guerra (pesquisadora responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: Este projeto propõe investigar o fenômeno da evitação de notícias no contexto da plataformização, da dataficação e da performatividade algorítmica (PDPA) (LEMOS, 2020), buscando compreender como práticas de não consumo informacional são produzidas pela interação entre sujeitos, conteúdos jornalísticos e infraestruturas digitais. Parte-se da hipótese de que a evitação não resulta apenas de uma escolha individual, mas emerge também como efeito indireto da lógica algorítmica de personalização. O fenômeno da evitação de notícias tem se consolidado como um dos desafios para o jornalismo contemporâneo. Dados recentes demonstram que o aumento do desinteresse pelo noticiário em diversas partes do mundo vai além de uma escolha individual, configurando-se como um comportamento comunicacional complexo e mediado. A literatura tem apontado para a necessidade de investigar fatores que transcendem as motivações pessoais, focando nas infraestruturas digitais que moldam o consumo informacional e a responsabilidade das plataformas nesse processo. (ANDERSEN, TOFF & YTRE-ARNE, 2024; TOFF, PALMER & NIELSEN, 2024). A relevância deste estudo reside na necessidade de compreender como as arquiteturas das plataformas digitais influenciam a visibilidade, a circulação e a ocultação de conteúdos jornalísticos, impactando diretamente a prática jornalística. Para enfrentar o desafio de mapear uma prática cuja natureza central é a ausência de consumo, a pesquisa adota uma abordagem de métodos mistos. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem exploratória e descritiva, combinando três dimensões: a discursiva (entrevistas semiestruturadas com usuários), a infraestrutural (análise de plataformas e algoritmos) e a relacional (cartografias sociotécnicas). Essa triangulação permitirá mapear os modos pelos quais a PDPA organiza a circulação de notícias, investigando não apenas os motivos da evitação, mas também as condições que tornam possível sua ocorrência. Ao articular essas abordagens, a pesquisa busca demonstrar como as práticas de não consumo informacional são coproduzidas por uma complexa rede de interações entre atores humanos e não-humanos, contribuindo para o avanço dos estudos sobre jornalismo em ambientes digitais e para o debate sobre o lugar das plataformas na esfera pública.

Falibilidades constitutivas das infraestruturas comunicacionais: uma investigação da década pós-WannaCry (2017-2026)

Alessandra Olinda (pesquisadora responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: A pesquisa investiga as falibilidades constitutivas das infraestruturas digitais contemporâneas, focando na década pós-WannaCry (2017-2026). Utilizando o método para comunicação associal do Lab404, a arquitetura PDPA-F e a etnografia ciborguiana, o estudo examina como incidentes de segurança reconfiguram práticas comunicacionais e imaginários tecnopolíticos. Fundamentada no neomaterialismo, no realismo agencial (Barad, 2007) e na teoria ator-rede (Latour, 2012), a pesquisa propõe uma abordagem que analisa as intra-ações entre plataformização, dataficação, performatividade algorítmica e falibilidades. A metodologia combina cartografias situadas, sensores especulativos e narrativas infraestruturais para desenvolver um aparato analítico-comunicacional que reconhece a inseparabilidade entre método e objeto. Partimos da hipótese de que as falibilidades são operadores críticos que revelam e reconfiguram as lógicas da PDPA, catalisando transformações nas práticas comunicacionais contemporâneas. A investigação se justifica pela necessidade de compreender como erros, falhas e perturbações (Lemos, 2024) não são anomalias, mas elementos constitutivos das infraestruturas comunicacionais, contribuindo para o desenvolvimento de práticas mais justas e cuidadosas de viver com-através das vulnerabilidades sistêmicas.

Soberania Digital

Walmir Estima (pesquisadora responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: A pesquisa de Walmir investiga os usos, valores, demandas e práticas em torno da ideia de Soberania Digital que circula no território brasileiro. Mapeando os atores nacionais que mobilizam o conceito e as práticas institucionais que o produzem, Walmir problematiza os alcances do que se tornou um “conceito guarda-chuvas” e investiga a performance prática dos projetos nacionais de autodeterminação ante territórios digitalizados.

DISSERTAÇÕES

TCC

O anonimato e a violência de gênero nos games: uma análise das dinâmicas de comunicação do Valorant

Laura Benjamim (pesquisador responsável); André Lemos (orientador)

Busca investigar como o anonimato, enquanto um componente presente nas estruturas dos jogos online, atua como um facilitador na reprodução das violências de gênero, por meio das dinâmicas de comunicação do jogo Valorant. A análise pretende compreender como os elementos comunicacionais são apropriados e utilizados para a manutenção de hegemonias nas interações sociais que ocorrem nos games, além de promover uma discussão sobre tecnologias digitais e relações de poder, a partir de uma abordagem neomaterialista.